Pictórico.
obras c. 2019 - 25
DIVIDIDO EM COLEÇÕES
AQUARELAS
NANQUIM
TINTA ACRÍLICA
TINTA À ÓLEO
COLEÇÃO 1
COMPOSTA DE 5 ILUSTRAÇÕES EM AQUARELA E NANQUIM
DIMENSÕES - 42 x 30cm (A3)
TAMPO A MÃO
COM A BOCA

2021
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
42 x 30 cm (A3)
PESCA

2021
Nanquim sobre papel 200g/m
42 x 30 cm (A3)
NÓ NAS TRIPAS

2021
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
42 x 30 cm (A3)
TRAGICÔMICA

2021
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
42 x 30 cm (A3)
AMARELASTRA

Esta série de cinco ilustrações em aquarela e nanquim foi desenvolvida em 2021, durante meu primeiro ano no curso de Artes Visuais, no contexto do isolamento pandêmico. As obras emergem como registros visuais de uma sequência de experiências sonâmbulas e introspectivas, marcadas por um retorno recorrente da mente a ambientes subaquáticos e paisagens imersivas — uma espécie de refúgio interior que dialoga com a noção de biomas mentais como espaços psicológicos construídos para escapismo e autorreflexão.
Nessa perspectiva, a produção artística pode ser compreendida como uma cartografia íntima, na qual os biomas aquáticos operam como zonas de fuga simbólica. Esses espaços dialogam com abordagens teóricas que compreendem a criação de paisagens internas como estratégias de regulação emocional e de deslocamento imaginativo. A coleção "TAMPO A MÃO COM A BOCA" é sobre cidades imaginárias e constitui um processo desenvolvido a partir dos anos de 2017 e 2018, quando eu tinha 15/16 anos, surgido da percepção de recorrências entre fantasias, sonhos e imagens mentais associadas a possíveis lugares de existência. O elemento comum entre essas visualizações era a presença constante da água: florestas repletas de poças, salas de computadores (lan houses) com baldes d’água, cadeiras molhadas e, sobretudo, ruas desertas de gente, mas repletas de água. Esse diálogo imagético tornou-se mais evidente após um período de afastamento familiar vivido em 2018, quando verbalizei experiências de abuso doméstico e fui silenciada. Diante da escolha dos meus pares por preservar o desconforto em vez de enfrentá-lo, compreendo hoje que a recorrência desses ambientes aquáticos funcionou como um espaço psíquico seguro — um recurso encontrado pelo meu cérebro para produzir sensação de novidade, alívio e deslocamento, oferecendo simbolicamente um outro lugar possível antes que o afastamento físico pudesse se concretizar.
Em 2022, logo após minha mudança para Bauru (SP), a série foi exibida no espaço expositivo do Instituto Acesso Popular, no centro da cidade. As obras estão dispostas em ordem cronológica inversa — da mais recente à primeira —, propondo ao espectador um percurso retroativo que reconstrói, de trás para frente, a imersão progressiva nesses territórios mentais líquidos.
2021
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
42 x 30 cm (A3)
O entendimento da produção artística como cartografia íntima dialoga diretamente com o pensamento de Paul Valéry, especialmente quando o autor concebe a criação como um processo que emerge da observação dos movimentos internos da consciência. Em textos como Introdução ao Método de Leonardo da Vinci e nos Cahiers, Valéry compreende a imaginação não como fuga irracional, mas como um campo estruturante da experiência, no qual imagens mentais organizam afetos, memórias e percepções do mundo.
Nesse sentido, as paisagens aquáticas recorrentes descritas no processo de Relações sobre cidades imaginárias aproximam-se do que Valéry entende como paisagem interior: um espaço onde o sujeito elabora, por meio de imagens, tensões psíquicas que não encontram ainda forma discursiva ou socialmente compartilhável. A água, elemento frequente também em sua obra poética — como em O Cemitério Marinho —, aparece associada à instabilidade, à fluidez e ao pensamento em movimento, funcionando como metáfora de um estado de consciência que oscila entre memória, sonho e sensação.
Para Valéry, o ato criativo nasce justamente dessa atenção rigorosa às imagens que insistem, retornam e se transformam dentro do sujeito. Assim, a fixação em ambientes inundados, vazios de presença humana, pode ser compreendida como um mecanismo de ordenação simbólica da experiência traumática: um modo de dar forma sensível a um estado interno de suspensão, silêncio e deslocamento. Tal como propõe Valéry, não se trata de expressar diretamente o vivido, mas de reorganizá-lo por meio de um sistema de imagens que permita ao pensamento continuar operando, mesmo diante da ruptura.
COLEÇÃO 2
EXPERIMENTAÇÕES EM AQUARELA, NAMQUIM E POSCA BRANCA
SOBRE PAPEL 200g/m - 300g/m
MAR, VAI CHOVER

2021, fevereiro
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)

2021, novembro
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
42 x 30 cm (A4)
PEREGRINO

2020, maio
Aquarela e nanquim sobre papel 200g/m
31 x 23cm
Esta aquarela antecede a coleção Biomas Mentais -- "TAMPO A MÃO COM A BOCA" e marca uma primeira aproximação com a temática. A obra resulta da associação de imagens observadas e rememoradas, realizadas sobre um papel de alta porcentagem de algodão, cuja absorção intensifica a densidade cromática. Trata-se de uma exploração inicial do imaginário que viria a se desdobrar posteriormente na série.
SOB SERENO

2020, outubro
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 (A4)
PAGU MOLHADA

2020, setembro
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 (A4)
VEEMÊNCIA

2020, agosto
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
ABISSO

2020, agosto
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
AUTO-AJUDA EM AUTO MAR

2021, abril
Aquarela e nanquim sobre papel 200g/m
Esta tirinha surgiu como uma sátira. A proposta inicial era desenvolver uma série de tirinhas, o que acabou não se concretizando naquele ano. A ideia teve origem a partir do contato com um livro de Amir Klink, explorador e navegador, encontrado durante a escolha de uma de suas obras para compra. O aspecto foi engraçado em relação ao fato de o livro se apresentar como pertencente ao gênero da autoajuda — algo inesperado diante da trajetória do autor, e o gênero das suas outras obras. A partir dessa incongruência, surgiu a reflexão irônica sobre o que poderia significar uma “autoajuda” voltada à experiência marítima, resultando no título "Auto-ajuda em alto-mar".
LUME ÉBRIO

2021, março
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
TUBARRINDO

2021, abril
Releitura de uma foto
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
14,8 x 21cm (A5)
GARÇA DO BEIRA-RIO

2021, janeiro
Desenho de observação
Aquarela e nanquim sobre papel 100g/m
14,8 x 21cm (A5)
COLEÇÃO 3
VERMELHO E AZUL
EXPERIMENTAÇÕES EM AQUARELA, NAMQUIM E POSCA BRANCA
SOBRE PAPEL 100 g/m - 200g/m - 300g/m
AMETISTA
RELEITURA

2020, julho
Releitura série 'Love, Death + Robots, episódio "A testemunha"'
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
JULIANA CÁ

2020, agosto
JULIANA'
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
UNUS SOLUS

2020, julho
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
PENUMBRA DO DIA

2020, junho
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
IMAGO

2020, maio
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
EFÊMERO

2020, novembro
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
RESGATE

2020, julho
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)

2020, abril
Releitura de pintura de Malcolm Liepke
Aquarela e nanquim sobre papel 200g/m


COLEÇÃO 4
PRIMEIROS ESTUDOS DE AQUARELA
SOBRE PAPEL 100 g/m - 200g/m - 300g/m
INTUIÇÃO


2019, outubro
Releitura de foto "Anna Karina and Jean-Luc Godard, Paris 1963"
Aquarela sobre papel 200g/m


BAILARICO


2020, junho
Aquarela sobre papel 200g/m
11 x 31cm

BEETLESUCO BESOUROJUICE

2020, junho
Releitura filme "Os fantasmas se divertem"
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
BUFO- BUFO

2020, julho
Aquarela e nanquim sobre papel 300g/m
21 x 29,7 cm (A4)
COLEÇÃO 5
ENCOSTANDO NA POP-ART
E APROVEITANDO UM POUCO DO ÓLEO
PINTURAS E ILUSTRAÇÕES EM TINTA ACRÍLIA, TINTA À ÓLEO E CARVÃO
SOBRE PAPEL 200g/m - 300g/m
+ ALGODÃO CRU
BRINCAR DE ACIDENTE

2022
Tinta a óleo, neon e carvão
sobre tela 2m x 1,70m
Foi exposta em fevereiro de 2023 na Casa Mangue (Bauru-SP)
Em evento colaborativo com a presença do coletivo Tres4
Idealizei essa pintura por um tempo, mas só a fiz realmente no final de 2022.
Bem-disposta é composta de uma série de desenhos a respeito de sonhos que tive com carros capotados e robôs peitudos de Luta Livre.



VAZOU


2022, julho
Tinta a óleo, tinta de tecido e nanquim
Sobre papel 300g/m
42 x 29,7cm (A3)
MAICON E BETE


2023, janeiro
Tinta a PVA e tinta de tecido
Sobre papel color 7 em base de Papel Paraná
LUCI


2022, agosto
Tinta a óleo e tinta acrílica
Sobre papel tela algodão cru
50 x 70cm
LUCCA


2022, outubro
Tinta a óleo e tinta acrílica luminosa
Sobre papel 300g/m
42 x 59 cm (A2)
PETULANTE

2022, julho
MIX de tintas(óleo, acrílica, tecido, tinta metalizada e neon, nanquim e betume)
Sobre tela de algodão cru
60 x 70 cm
'SEM TÍTULO'

2023, fevereiro
Nanquim vermelho e vinho
Sobre papel 300g/m
42 x 59 cm (A2)
LAS BUTUCAS




2024
Giz pastel oleoso, nanquim e tinta acrílica branca
Sobre painel de HDF 3mm revestido em papel color 7 preto
2 m x 1,5 m
Peso */- 7kg
A obra é uma representação figurativa de diferentes corpos com texturas e profundidades coloridas, se destacam sobrepostos mosquitos brancos.
A motivação para a criação da obra consiste em comunicar a presença viva desses corpos apesar do elemento hostil (ospernilongos). No interesse de trabalhar questões de saúde mental, tal como objetificação de um ideal de gênero e feminilidade a partir de uma reverência ao sangue como objeto de desejo simbólico dessa interação. Na intenção de criar uma obra que contenha elementos que despertem tanto atração quanto desconfiança para com as presenças expostas. Por vezes pintadas de modo a remeter uma luta de formas tanto em relação aos corpos que por vezes se mesclam em si mesmos como também nos mosquitos que na parte superior esquerda estão em processo de mutação, explorando a relação do espaço de coexistência. A obra foi realizada por partes em 2022, finalizada somente em2024 quando é incorporada a composição do painel, logo após a autora realizar no início do ano de 2024 uma denúncia contra um membro da família que a abusou durante a infância e adolescência, não somente nessa obra, mas a compreensão de memórias e a divisão do espaço são temas constantemente abordados pela autora em sua produção, da mesma forma que a gravidade, que não se encontra na maioria de suas obras. Descoberto em um estudo anterior sobre seu processo criativo e a falta de chão em todas as suas representações pictóricas, associado a um distanciamento das bases familiares que são afetadas diretamente por conta do abuso. Por fim, a obra "Las butucas", busca colocar o espectador em uma posição de um voyeurismo flutuante a fim de elevar a representação a um estatuto totêmico, buscando trazer beleza e conforto apesar do evidente incômodo.

PRIMEIROS TRABALHOS DE PINTURA QUE FIZ

2011, abril
Tinta Guache diluída
sobre papel sulfite
21 x 29,7 cm (A4)
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