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Tecnologia.

+ fotografia

obras c. 2023 - 25

O Parangolé Eletrônico é o projeto que realizei durante minha participação do grupo de pesquisa Artes em Tecnologias Emergentes na UNESP durante os anos de 2023 a 2025

    Esta pesquisa parte do estudo e desenvolvimento de protótipos acerca das inovações wearable, ou seja, circuitos eletrônicos usados no corpo, como roupas ou acessórios com funcionalidades tecnológicas. Utilizando o vestível como fio condutor para incorporar a novas experiencias do corpo, transformando-os em dispositivos complexos que possuem capacidades de gerar formas de interação entre o corpo e o ambiente. Neste percurso o interesse surge da possibilidade de conexão entre bases de conhecimentos práticos e teóricos distintos de interesse da pesquisadora, na intenção de entender o funcionamento e constituir um trabalho artístico conduzido por pesquisas recentes na área. Realizando estudos de componentes, design, softwares de modelagem e dando importância a experiencia humana ao utilizar a tecnologia de forma eficiente para articular o propósito de gerar experiencias singulares ao ser que a veste.

Gerado por AI a partir de fotos em estúdio com dois vestíveis sonoros dos Parangolés Eletrônicos. 2025

    O pensamento que orienta a construção de um vestível tecnológico, uma experimentação que evoca uma simbiose entre a tecnologia e o corpo humano, nesta pesquisa, faz parte de um percurso conceitual de compreensão do corpo como um meio comunicativo capaz de interagir com sistemas tecnológicos em fluxo contínuo de informação. Lucia Santaella, cientista da comunicação e semiótica, examina o uso do termo “pós-humano” em relação a seu caráter epistemológico na ideia de que um corpo expandido por dispositivos eletrônicos, digitais, de forma, que a tecnologia atue não como uma simples extensão mecânica, mas como um agente relacional que reconfigura a percepção de um novo caminho evolutivo do pensamento humano.

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    “De fato, se continuarmos a alimentar a separação do corpo e da mente, da mente e do cérebro, se continuarmos a alimentar a dissociação entre esses últimos e as tecnologias, o inconsciente e destes entre si, as reflexões sobre o pós-humanismo só poderão ficar atravancadas em estreitos pontos de vista parciais. Para evitar isso, defendo a tese de que a técnica, hoje transmutada em tecnologia, remonta às origens da constituição do ser humano como ser simbólico, ser de linguagem, de modo que as tecnologias atuais estão em uma linha de continuidade e representam uma crescente complexificação de um princípio que já se instalou de saída na instauração do humano. Embora sob o disfarce insuspeito da naturalidade, a primeira tecnologia simbólica está no nosso próprio corpo: a tecnologia da fala.” (Santaella, 2007: p.135)

 

    Neste contexto, o projeto aqui desenvolvido propõe o processamento dos dados de movimento provenientes do corpo e sua tradução em respostas luminosas perceptíveis, estabelecendo um circuito de retroalimentação entre o humano e o sistema computacional. Essa dinâmica aproxima-se do conceito de ‘feedback’ formulado por Norbert Wiener, matemático e criador da Cibernética na década de 1948, segundo o qual a tecnologia é capaz de interpretar os dados de sua própria ação e, a partir deles, definir seu comportamento.

    No experimento, as informações são captadas a partir da torção e flexão muscular registradas pelo sensor flex acoplado aos pulsos e à transição entre braços e antebraços. Esses dados são processados pelo microcontrolador (ESP32), que responde ao corpo por meio de gradientes luminosos acionados pelos LEDs conectados ao sistema. O corpo, ao perceber o estímulo luminoso, reage novamente, gerando novas informações, completando, assim, o ciclo contínuo de retroalimentação entre organismo e máquina.

    À vista disso, os princípios da Cibernética e as reflexões do pós - humanismo manifestam-se neste projeto ao transformar o circuito tecnológico em uma extensão cognitiva e sensorial do corpo, deslocando-o da condição de ferramenta para a de agente simbiótico, integrado à experiência humana.

Simulação do circuito eletrônico de um vestível em que os LEDs são guiados pela flexão de um sensor flex 2.2, 2025

O código fonte está disponível no repertório de FCatelani

     O projeto, agora em sua terceira fase e no terceiro ano consecutivo de participação no 24º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (@24.art_2025), retorna em 2025 com seis vestíveis desenvolvidos, dois dos quais incorporam uma terceira camada de interação, controlada remotamente por meio de um aplicativo via conexão IoT. Essa interface permite manipular em tempo real a síntese sonora dos Parangolés, utilizando microcontroladores ESP32.
     Os novos dois trajes de som são  integrados e se comunicam entre si, a  partir desse sistema mesclando os dados dos sensores e gerando composições colaborativas — uma espécie de diálogo sonoro e luminoso entre corpos em movimento.
Além disso, são apresentados os desdobramentos do novo projeto Galáxias, coordenado pelo professor Sidney Tamai e com a participação dos pesquisadores: Dennis Gomes, Fernanda Catelani, Lia Soares e Bruno Hartman. 
Durante o evento, são discutidas as abordagens experimentais e metodológicas do trabalho.

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Catálogo disponível em 

https://drive.google.com/file/d/1fBnCcK6ss6fCuaJi40b26ak3iow2b-Z1/view

Fotografia em alta exposição por Fernanda Catelani, estúdio UNESP Bauru. NIKON D3000 18mm. Modelo Luma Nogueira e Lia Figueiredo - Parangolés Eletrônicos, 2024.

Parangolé Eletrônico.

Grupo de Pesquisa Artes em Tecnologias Emergentes 

 Brasília / c. 2023 - 24

Registros de Eduardo S., montagem e performance Parangolés Eletrônicos - Museu Nacional da República de Brasília (DF), 2024.

  É possível criar uma visualização da fronteira entre o corpo e a tecnologia?
  Se a essência humana está em um cenário no qual a humanidade e a tecnologia está se tornando cada vez mais ambígua será possível tocar os limites entre o biológico e o artificial?

   O que norteia o trabalho é constatar corpos humanos cineticamente funcionais e domesticado no limite parasitário e ficcional das telas.  O fundamento do projeto é lançar vestíveis sensíveis e interativos que norteiem e movimentem na direção de um corpo atento. Para refletir e repensar com clareza foram produzidos cinco Parangolés Eletrônicos e expostos a experimentação do público em vários eventos e congressos. Quatro questões são bases dessa reflexão, a questão da desmaterialização da cultura; a base digital unificadora, interfaces e resistências nos processos de contaminação e invenção entre linguagens; os parangolés de Hélio Oiticica; a transducção como lugar de continuidade e potência na abertura para o desconhecido. 
   Aqui apresentaremos dois últimos Parangolés Eletrônicos e as mudanças na programação, nos sensores e envolvimento do corpo em ação. Os parangolés eletrônicos atuam em três níveis: no entendimento dos dispositivos técnicos, nas linguagens que se oferecem e nas poéticas (im)possíveis. São também pensados na sua produção em três camadas, a do design, o das camadas eletroeletrônicas e o das linguagens transdisciplinares possíveis lançadas por interação experimental-dançável em novas poéticas.
   Os resultados são alta participação do público, forte apelo lúdico e um corpo interator que ganha afirmação e amplia por movimentos inesperados, seus espaços como sujeito.

  O projeto atua em sua segunda fase, tendo participando como pesquisa e exposição no evento 22 e 23 Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (#22.ART #23.ART) e o X Simpósio Internacional de Inovação em Mídias Interativas (X SIIMI) em Brasília e na cidade do Porto Portugal.

https://www.youtube.com/watch?v=yOMYknTfWSE

Croquis

2023 - 2025
Processo para produção dos Parangolés Eletrônicos 2023 - 2024
Iniciação científica com bolsa CNPq 2025

2023
2024 - 2025

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